Missionários de ontem e de hoje

A palavra missionário sempre soa para mim como mensageiro de boas novas, presença alegre e cheia de esperança, desde a minha mais tenra infância.
Os primeiros pastores que conheci lá no interior da Bahia eram missionários americanos que nos davam a impressão de verdadeiros anjos de Deus que só viviam para nos fazer bem, contando as belas histórias da Bíblia e ajudando os carentes em suas necessidades.
Não posso me esquecer das figuras imponentes e ao mesmo tempo ternas e amorosas do Dr. Ricardo Waddell, Dr. Rogério Perkins, Dr. Norman Dunsmore, Dr. Raphael Warhaug e outros missionários que vieram desbravar os sertões da Bahia, indo aos rincões de Minas e Goiás, pregando o Evangelho, distribuindo Bíblias e formando congregações em vários lugares. Não posso deixar de mencionar o Dr. Ellis Graves que se tornou meu pai, me ajudou nos estudos em toda a minha preparação para o ministério pastoral. Eles viajavam com uma tropa de burros e um camarada que os acompanhava para cuidar de tudo e passavam três ou mais meses longe da esposa e dos filhos pequenos.
Aqui no planalto central foram pioneiros o Dr. Franklin Graham, Rev. Alberto Reasoner, Ricardo Irwin e Rev. João Miller, depois de outros que arriscaram a própria vida para implantar o Evangelho nessa região. Foram perseguidos das formas mais grotescas e mais desumanas, tentando impedir o povo de ouvir a Palavra de Deus e se converter a Jesus Cristo. “Um vigário de Planaltina e da região alertava o povo, diante do altar da capela que Franklin Graham guardava na Igreja Presbiteriana um vidro contendo um capeta, que era solto no púlpito durante os cultos, conforme relato de Jason Tércio em seu livro – “Os Escolhidos”.
Informa ainda Jason Tércio que o padre ia de casa em casa recolhendo as Bíblias, livros e folhetos distribuídos pelos missionários. Mas nem isso, nem as pedradas jogadas no templo, nem a algazarra e a sujeira nas paredes e nas portas, nada disso intimidava o Dr. Franklin e D. Jean, com seu grupo. Foi assim que o trabalho se consolidou, formando a Igreja Presbiteriana de Planaltina.
O que a obra missionária nos deixou no Brasil, no Norte e Sul, Nordeste e Sudeste é algo de valor incalculável: – Igrejas, escolas, hospitais e outras obras sociais, por onde passaram esses arautos de Deus.
A minha própria vida e centenas e milhares de meninos pobres neste país foram influenciados pela obra missionária dessa gente que consagrou sua vida inteira para salvar nosso povo da ignorância espiritual, resgatando os deserdados da sorte para uma vida de dignidade pessoal e de serviço ao próximo. O Brasil que foi alvo dessa bênção de Deus, recebendo tanto, agora se transforma, aos poucos, em celeiro de missionários que se espalham pelos quadrantes de nosso país e para outros países, inclusive entre os muçulmanos, arriscando a própria vida para proclamar o Evangelho da Redenção e libertação em Cristo Jesus. Estes são os missionários de hoje.
A igreja, de certa forma, permanece na retaguarda, como sempre se diz, orando e sustentando aqueles que estão na fronteira da luta contra as hostes do mal. Todavia, temos também aqui em nossos arraiais, grandes desafios para uma obra missionária urgente e contínua, dentro de nossa casa, com nossa família, nossos filhos, esposos e esposas que, por vezes, desistem e desertam da fé cristã, filhos que se perdem para o mundo, colegas de escola e de trabalho, vizinhos, que se encontram em estado de desespero. Há muitos que se suicidam e pouco sabemos.
Irmãos, este é nosso campo missionário, diante do nosso nariz. Há pessoas que estão escravizadas pelas drogas e permissividade em todas as práticas imorais destruindo-se e se condenando hoje e para a eternidade.
Somos os missionários de perto para proclamar a essas pessoas que Cristo os ama e quer libertá-las e salvá-las para uma vida feliz e abençoada agora e para sempre. “O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23).

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