Jesus Cristo nos Salmos

Autor: Arnold Doolan
Nas Escrituras Hebraicas, os 150 Salmos são divididos em cinco livros. Estes poemas de oração e louvor cobrem muitos temas, e muitas vezes são apresentados em termos de experiência humana. Eles constam das vitórias, sofrimentos e tristezas do povo de Israel.

Um dos temas predominantes nos Salmos é o tema do Messias. Cerca de 10% ou 16 dos Salmos podem ser classificados como Salmos Messiânicos. São os Salmos 2, 8, 16, 22, 23, 24, 40, 41, 45, 68, 69, 72, 89, 102, 110, 118.

Os escritores destes Salmos, que são vários, relatam muito da Pessoa de Cristo, a Sua vida, rejeição, sofrimento e rejeição. Estes Salmos são muitas vezes citados e interpretados no Novo Testamento.

Num artigo deste tamanho, não temos espaço para examinar todos estes Salmos, mas vamos olhar para alguns.

SALMO 110

O versículo 1 afirma que Cristo (o Messias) é Deus. Ele é chamado Senhor (Hb. Adön), exclusivamente aplicado a Jeová Deus. Os Judeus começaram muito cedo a substituir esta palavra Adön para o nome próprio de Jeová (YHWH).

Se o Senhor têm um Senhor, então somos forçados a chegar a uma de duas conclusões: ou o politeísmo (mais do que um deus) ou um Deus Triuno, um Deus em três Pessoas.

O Salmo 110:1 é citado por Mateus, Marcos e Lucas. Pedro também citou este salmo no seu sermão de Actos 2:32-36. Pedro não tinha dúvidas que Jesus era o Messias. O facto que os Seus inimigos seriam um dia postos por escabelo de Seus pés foi prégado claramente por este apóstolo. Pedro citou este Salmo para provar que Cristo fazia parte da Trindade, e que Ele, Cristo, cumpriu literalmente a profecia deste salmo. O resultado foi que o Espírito Santo tocou muitos corações e três mil almas foram salvas.

O versículo 1 ensina igualmente que Cristo derrotará os inimigos de Deus. Jesus é Deus, e um dia Ele reinará sobre o mundo, fazendo os Seus inimigos ajoelharem-se perante Ele. Esta promessa é citada duas vezes pelo autor dos Hebreus (1:3 e 10:13) e é uma certeza que Jesus um dia vai derrotar Satanás e será Rei dos Reis e Senhor dos Senhores.

Ele é o Eterno Sumo Sacerdote. “Jurou o Senhor e não se arrependerá, Tu és sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedeque” (v.4). Este facto também é confirmado em Heb. 5:6; 6:20 e capítulo 7.

SALMO 2

Este salmo descreve claramente a Pessoa de Cristo. Ele é chamado O Ungido (Messias) – v.2, O Rei, v. 6 e O Filho, v.7. Os versículos 8 e 9 declaram que Ele conquistará o mundo. No verso 12 somos instruídos a beijar o Filho. A palavra beijar neste contexto, significa adorar ou prestar homenagem (cfr.1Re. 19:18; 1Sam. 10:1). Como as Escrituras ensinam que não devemos adorar nenhum homem, então o Filho tem de ser Deus.

SALMO 118

A Rejeição de Cristo.

Este salmo é o último no grupo dos salmos 113-118, sendo conhecido pelo nome de Halell, que significa aleluia. O halell é muito apropriado em relação à Páscoa, porque relata, não somente a libertação dos israelitas do Egipto, mas também a constante bondade de Deus para com eles. Apropriadamente o halell abre com “louvai ao Senhor, louvai servos do Senhor”, não mais servos de Faraó.

O Salmo 118 claramente prediz a rejeição de Cristo, como Ele aproximou a Sua morte sacrificial na cruz. “A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se cabeça da esquina, da parte do Senhor fez isto, maravilhoso é aos nossos olhos” (v.22 e 23). Pedro citou esta passagem aumentando um versículo de Isaías 28:16 (cfr. 1Pe. 2:6,7). Nesta passagem, os edificadores são Israel, e a Pedra é Cristo, significando que o povo judaico tem rejeitado o Messias. Ele é ainda a pedra da esquisa, apesar de ter sido rejeitado pela Sua nação. Ele é a pedra fundamental, sem Ele, não há edifício, sem Ele não há estabilidade.

No verso 22 temos a rejeição, ou a humilhação do Messias pelos edificadores (profissionais) e a Sua exaltação por Deus.

A cabeça da esquina. A esquina é o sítio onde duas paredes se encontram, e há muitos grupos de dois neste edifício. Há judeus e gentios, há macho e fêmea, servo e livre, mas todos um em Cristo Jesus. Os edificadores judaicos não podiam suportar uma cabeça de esquina. Eles tinham que ficar isolados, ou separados dos outros na sua própria parede de Judaísmo. Não podiam juntar-se com gentios ou samaritanos. Assim, eles rejeitaram Cristo, porque pensaram (correctamente) que se Ele for a Cabeça, Ele reuniria todos, sem discriminação de raça ou nação. Os Judeus recusaram esta Pedra e Deus construiu a Sua Igreja sobre ela.

O Sofrimento de Cristo.

Quando contemplamos os sofrimentos de Cristo nos salmos, geralmente pensamos no Salmo 22. Neste salmo, temos o profundo, sublime e pesado sofrimento de Cristo. O salmo parece ser menos profecia e mais história. É o salmo da Cruz. Começa com as palavras “Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?” E termina com “Ele o fez” (hb. Asah= realizado, consumado). Aqui temos a descrição das trevas e da glória da Cruz. Os sofrimentos de Cristo, e a glória que há-de vir. Estamos aqui em terra santa, e devemos prosseguir com a máxima reverência.

1. Ele foi desamparado

E ficou só – verso 1.

Enquanto ficou pendurado na Cruz, Jesus gritou estas palavras (cfr. Mateus 27:46). Na hora nona, Deus voltou as Suas costas ao Senhor Jesus, quando Ele levou sobre Si mesmo os nossos pecados. Desamparado por Judas, o traidor, sim, isto podemos compreender. Desamparado por Pedro, o tímido, sim, podemos também… Mas desamparado por Deus ? Só podemos compreender isto lembrando que Jesus na Sua humanidade foi desamparado. Jesus, o homem. Não houve nenhuma dissolução da Trindade, mas Deus permitiu Jesus na Sua natureza humana a sofrer os tormentos e a morte, porque estava a levar os nossos pecados e o pecado (raíz) faz separação entre nós e Deus.

2. Ele foi abusado verbalmente

Os versículos 7 e 8 foram cumpridos em Mateus 27:42,43. Notai, “todos os que me vêem zombam de mim”. Ricos e pobres, judeus e gentios, soldados e sacerdotes. Não era morte suficiente ? Era necessário aumentar o sofrimento com a zombaria e blasfémia ?

3. Ele tinha sede

Os versos 14 e 15 foram cumpridos em João 19:28. “Como água me derramei… A minha força se secou como um caco, a língua se me pega ao paladar”. A sede, a privação mais difícil de suportar, até sufocante, tinha de ser intolerável.

4. Ele foi traspassado

Verso 16. Cfr. Jo.20:25; Zc.12:10.

Esta não pode ser uma referência a David, só podendo ser uma referência Jesus de Nazaré. As feridas foram tão profundas que as marcas ficaram depois da Ressurreição. Algumas pessoas pensam que as cicatrizes ainda permanecem no Seu corpo glorioso para ser mostrado na Sua Segunda Vinda – cfr. Zac. 12:10; Ap.1:7.

5. Ele foi humilhado

Verso 8. Cumprido em Jo.19:23,24.

A vergonha da nudez foi a consequência imediata do pecado no jardim do Éden. Portanto, Jesus foi “despido” quando foi crucificado para que pudéssemos ser vestidos com o vestido da rectidão e para que a vergonha da nossa nudez (pecado) não aparecesse.

SALMO 34

O Salmo 34 geralmente não é considerado um salmo messiânico. Contudo, contém uma referência relativa ao Messias. “Ele lhe guarda todos os seus ossos, nem sequer um se quebra” (Salmo 34:20)

Quando Jesus e os dois malfeitores estiveram na Cruz, estava a aproximar-se o sábado. Os Judeus pediram a Pilatos para dar ordens aos soldados para estes partirem as pernas dos crucificados para lhes apressar a morte, afim dos corpos serem retirados das cruzes antes do pôr do sol, em conformidade com as regras do sábado.

As pernas dos dois malfeitores foram partidas, mas os soldados descobriram que Jesus já estava morto. Êxodo 12:46 e Número 19:12 estipulam que nenhum osso do cordeiro pascal podia ser partido. Assim, o escritor do Salmo 34 fortaleceu a posição que Jesus Cristo era o Cordeiro Pascal, “o Codeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29).

SALMO 16

A Ressurreição de Cristo

Lemos no Salmo 16:10 – “Não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção”.

Uma interpretação desta passagem no Novo Testamento encontra-se no sermão do Apóstolo Pedro no dia de Pentecostes. Em Actos 2:29, Pedro disse que David não estava a falar da sua própria ressurreição, porque David já estava morto e sepultado, um facto provado pela existência da sua sepultura.

Pedro continuou a declarar que David estava a falar de Cristo cuja alma “não foi deixada no inferno, nem a sua carne viu corrupção” (v.31). Pedro depois citou Salmo 110:1 para provar a divindade de Cristo e a Sua ascensão (Actos 2:34-36)

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