Hierarquia x funçoes na igreja

Autor: Antônio Carlos Pereira Alves Junior
Você já teve a sensação de que os livros que você arrumou na estante na semana anterior subitamente se desarrumaram sozinhos? Que o mesmo aconteceu com os CDs, com os arquivos do seu computador… O banho que você tomou pela manhã já não serve de justificativa para o suor que insiste em escorrer da testa ao meio dia. Há um pendor natural das coisas a, com o uso, se desajustarem, a se gastarem e a ficarem desarrumadas. Milhares de programas e outros milhares de dólares são usados pelas empresas na busca de uma ordem artificial. Milhares de horas de estudos são gastos para resolver os conflitos que desorganizam a vida emocional das pessoas. É inevitável concluir que o mundo inteiro anseia por uma ordem que torne as coisas compreensíveis ao ser humano. A entropia, porém, parece ser a lei natural do universo.

Para expressar esse anseio, os gregos talharam a expressão kosmos, presente no Novo Testamento e cuja tradução mais aproximada é “ordem, sistema”. Muitas vezes encontramos kosmos traduzido também como “mundo”, tamanha é a identificação do mundo com a necessidade de ordem e de sistematização. Esse termo se opõe a kaos (“desordem”). Nesse contexto, o ser humano criou um conjunto de armadilhas contra o kaos: as organizações. Empresas, governos, escolas, todos são o resultado do esforço de mobilizar as habilidades das pessoas para dar ordem a suas atividades.

É curioso que até mesmo as instituições religiosas, que pretendem diferenciar-se do mundo (“kosmos”), aderiram à onda de organização que permeia todas as outras instituições. Como então entender a necessidade de ordem sem cair no sistema mundano (cosmológico) de organização? Como a Igreja pode ser ao mesmo tempo ordeira e não se tornar mundana? Essas questões parecem um pouco complicadas e afetam diretamente a convicção de muitos. Alguns pontos podem nos ajudar a resolver esse problema:

Ponto 1 – O serviço na Igreja é uma fila, não uma pirâmide

A Igreja, orientada pelos princípios bíblicos, é harmônica, não hierárquica. Harmonia tem relação direta com o equilíbrio entre as funções que são exercidas na Igreja. Hierarquia, por sua vez, mantém relação direta com a superposição de posições, uns considerados de comando (mais importantes e mais reconhecidos) e outros de subordinação (menos importantes e, por isso mesmo, menos reconhecidos). Os que desejam destaque são os que entendem a Igreja como uma estrutura hierárquica. No entanto, a Bíblia dá um forte ensinamento sobre isso, em Marcos 10:42-44:

Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Ao contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo; e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos.

Nessa Escritura, é importante entendermos a origem de algumas das palavras. A palavra aqui traduzida como IMPORTANTES, no original grego, é MEGA, que significa “principal, mais destacado, maior”. Essa Escritura mostra que a tendência natural do mundo organizado é estabelecer algumas pessoas como mais destacadas, mais dignas de consideração que as outras. No entanto, Jesus adverte que não é assim na Igreja. Não há “megadiscípulos”. Todos os discípulos de Jesus na Igreja têm o mesmo nível de compromisso. Ter essa consciência nos “vacina” contra a tendência de se criar hierarquia entre os discípulos de Jesus e contra a divisão artificial entre clero e laicado, como se viu posteriormente na história do cristianismo.

Ele estimula que os Seus discípulos sejam como um SERVO. Essa palavra, no grego, é doulos, que significa “escravo da mais baixa condição, considerado propriedade, sem vontade ou direitos”. Jesus estava falando a judeus. Estes tinham uma cultura que valorizava muito a liberdade. A escravidão moldou-os de tal maneira que se tornaram um povo, quando se viram oprimidos no Egito. Por 400 anos, eles clamaram a Deus para que Ele os libertasse. Aparentemente, aquela afirmação de Jesus punha em cheque toda a cultura judaica. Confirmava, no entanto, numa análise mais acurada, o princípio de liderança orientada para o exemplo e a liberdade. Ora, se, por um lado, não há pessoas mais importantes que as outras, por outro, não se pode dizer que não há liderança. Os que lideram são os primeiros. A palavra primeiro, nesse trecho da Bíblia, tem no texto original a forma protos, que indica o primeiro de uma fila. A liderança na Igreja é exercida pelos que estão em primeiro lugar para puxar a fila, isto é, dar o exemplo em uma área específica do ministério. Numa fila, todos estão no mesmo nível. Se a fila quiser andar, porém, um deve começar a andar. Este será o primeiro entre os seus iguais. Ele leva as pessoas até a meta. Esse é o líder, embora todos sejam capazes de andar e estejam no mesmo nível.

Temos a mesmo visão, a mesma missão e as lideranças nos ajudam puxando a fila no serviço, na dedicação… Isso é bem diferente dos que dominam, isto é, que estão em posição mais elevada do que os demais. Pedro testemunhou o momento em que Jesus ensinou essas coisas aos discípulos de Jesus na Igreja. Depois, Pedro testemunhou todo o sofrimento de Jesus no julgamento e na crucificação. Ele viu como era importante para Jesus gerar a Igreja, não como mais uma organização mundana, mas como a realidade do seu organismo divino expresso na terra. Assim, Pedro estava muito bem esclarecido sobre os perigos desse organismo que é a Igreja tornar-se uma organização. Em 1 Pedro 5:1-3, o apóstolo advertiu os líderes contra a tendência de a estrutura hierárquica e mundana contaminar a Igreja:

“Portanto, apelo para os presbíteros que há entre vocês, e o faço na qualidade de presbítero como eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, como alguém que participará da glória a ser revelada: Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir. Não ajam como dominadores dos que lhes foram confiados, mas como exemplos para o rebanho.”

Ponto 2 – As nossas habilidades são para o crescimento dos nossos irmãos.

Na Bíblia, vemos que a Igreja deve estar organizada com base nos serviços e não nas posições. Por isso, o primeiro, o líder, é o primeiro de uma fila, não o topo de uma pirâmide. Como, então, pode haver ordem, se o comando é um exemplo e não um domínio? A resposta que a Bíblia oferece a essa questão é bastante simples: cada um usa seus dons para gerar o crescimento dos outros cristãos. O exemplo é um catalisador do desenvolvimento das habilidades dos outros.

Paulo era um homem muitíssimo talentoso. Ele falava várias línguas, conhecia muito bem a lei judaica e as tradições gregas. Havia sido instruído por outro homem habilidoso: Gamaliel. Ser ensinado por Gamaliel era algo do qual podia orgulhar-se e até mesmo citar em sua defesa (Atos 22:3). Paulo entendia melhor do que ninguém a importância de ser treinado por homens preparados. Ele não titubeou ao aconselhar a seu “filho espiritual”, Timóteo, a quem ele pessoalmente havia treinado:

“E as palavras que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie-as a homens fiéis que sejam também capazes de ensinar outros” (2 Timóteo 2:2)

À Igreja de Éfeso, que Timóteo dirigia, Paulo confirmou a necessidade de usarmos pessoas talentosas para treinar outras:

Por isso é que foi dito:

Quando ele subiu em triunfo às alturas, levou cativos muitos prisioneiros e deu dons aos homens. (que significa “ele subiu” senão que também havia descido às profundezas da terra? Aquele que desceu é o mesmo que subiu acima de todos os céus, a fim de encher todas as coisas.) E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado (Efésios 4:8-12)

Qual o método para Cristo preencher todas as coisas de forma prática, na terra? Fazendo muitos cristãos, que imitam o Seu caráter. Para isso, Ele deu dons aos homens. Esses dons não são posições, mas funções dentro das quais cada um prepara os outros para que o ministério de Cristo na terra seja completo, por meio da edificação da Igreja. O método de liderar puxando uma fila eqüivale ao uso dos dons para estimular os cristãos a crescerem olhando os exemplos dos líderes e não exatamente seguindo às suas ordens cegamente. Paulo expressa isso aos seus colaboradores mais próximos a quem ele chama de filhos: Timóteo (1 Timóteo 4:12) e Tito (Tito 2:7). Não lhe parece sintomático que um filho seja uma seqüência do pai? Ser filho é ser imitador. O pai é como o primeiro da fila, o que dá o exemplo para que os filhos imitem. Assim é a nossa relação com Cristo. Assim é nossa relação com os cristãos espiritualmente mais maduros que nós. O exercício dos dons leva os cristãos a terem muitos “filhos espirituais”.

Ponto 3 – As nossas habilidades são para dar frutos espirituais

Ter filhos espirituais é uma outra maneira de dar glória a Deus. Esse aspecto de vida que se reproduz, de caráter que influencia também é “dar fruto”. Nossos dons produzem frutos na vida dos outros discípulos de Jesus. Há muitas confusões hoje sobre os dons. Os dons não são para a construção de uma organização mística, cheia de milagres e de gente que corre atrás de maravilhas e novidades falsamente espirituais. Os dons são para que aqueles que os têm ajudem os outros a desenvolverem em si mesmos seus dons.

Ninguém lidera algo ou trabalha em algo se não for para ajudar os demais cristãos a estarem equipados para cumprirem a missão. No original grego, a palavra preparar (Efésios 4:12) é o mesmo que equipar. No contexto do Novo Testamento, “equipar” tem dois significados. O primeiro se refere a um termo médico, no sentido de “pôr em ordem” (por exemplo, um osso quebrado, preparando-o para a cura). O segundo se refere à indústria pesqueira. Os pescadores “preparavam” suas redes, para que o sol as secasse no formato certo e pudessem ser lançadas de novo. Não é sem motivo que Jesus chamou Seus discípulos para aprenderem a pescar homens. Ele os curou dos pecados e os ensinou a pescar homens. Jesus usou intensamente Seus dons para equipar os discípulos, curando-os e preparando-os para estarem na “posição correta”.

Um líder não é o que ordena, mas o que “cura” espiritualmente os discípulos de Jesus e os prepara para a próxima pescaria de novos discípulos de Jesus na Igreja. Então, ser evangelista, pastor, mestre, profeta ou qualquer outro papel na Igreja, é para que os cristãos sejam treinados. Não se trata de uma posição, mas de uma função. Deus deu talentos a cada um de nós, para que nós ajudássemos os nossos irmãos a crescerem espiritualmente.

Ponto 4 – Deus deu a função de liderança para que a Igreja cumprisse sua missão

Paulo destaca a liderança como uma função para conduzir os cristãos até a missão da Igreja: promover a salvação das pessoas. Em Romanos 12:8, Paulo aborda a função de liderar no sentido puro, que, dentro da política grega, era o mesmo que “ficar de pé à frente da assembléia”. Os que exercem essa função são capazes de estimular os cristãos a terem uma visão e um objetivo comuns. É como o general que ajuda os outros a verem qual o monte deverá ser tomado.

Em 1 Coríntios 12:28, Paulo fala da função de liderança como administração. Nesse sentido, a função de liderança envolve cuidar do leme de um barco, dirigindo o navio conforme o curso escolhido. Essa função era crucial nas tempestades. Esse dom é diferente daquele do apóstolo, do profeta e do professor, pois a administração não é um dom de oratória, mas de planejamento.

Ponto 5 – Deus deu uma grande variedade de talentos para que haja muita riqueza e muito crescimento na Igreja.

Enquanto Paulo se preocupa com os dons que promovem o treinamento dos cristãos, em sua carta aos efésios, ele mesmo se lembra dos talentos que promovem a riqueza da Igreja, em Romanos 12:6-8:

Temos diferentes dons, de acordo com a graça que nos foi dada. Se alguém tem o dom de profetizar, use-o na proporção da sua fé. Se o seu dom é servir, sirva; se é ensinar, ensine; se é dar ânimo, que assim faça; se é contribuir, que contribua generosamente; se é exercer liderança, que a exerça com zelo; se é mostrar misericórdia, que o faça com alegria.

A Igreja em Corinto tinha muita dificuldade em lidar com os dons, especialmente os miraculosos, que estavam causando transtorno na administração da igreja. Os cristãos estavam tão preocupados com os milagres que não promoviam a edificação da Igreja. Não sem razão, Paulo fala com detalhe sobre os dons em 1 Coríntios 12. Dois trechos desse capítulo são cruciais para se entender a preocupação de Paulo com respeito ao empobrecimento espiritual da Igreja de Corinto, por causa da confusão sobre o uso dos dons:

a) versículo 28

Assim, na Igreja, Deus estabeleceu primeiramente apóstolos, em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar mestres; depois os que realizam milagres, os que têm dons de curar, os que têm dons de prestar ajuda; os que têm dons de administração e os que falam diversas línguas.

b) versículo 31

Entretanto, busquem com dedicação os melhores dons. Passo agora a mostrar-lhes um caminho ainda mais excelente.

Esse caminho é o amor, de que fala todo o capítulo 13. O dom supremo é o amor. No entanto, as pessoas têm buscado dons que não são fundamentais. Os dons miraculosos não eram imprescindíveis para que a Igreja fosse rica. Ao contrário, Deus estabeleceu primeiro os apóstolos, os profetas e os mestres. Qual a principal função deles? Ensinar. Sem o treinamento dado primeiramente pelos apóstolos no primeiro século, depois pelos que falavam por Deus e pelos mestres hoje, como a riqueza da Igreja poderia aumentar? Qual é a riqueza da Igreja senão conhecimento e a expressão de Cristo?

Ponto 6 – As funções de liderança estão presentes hoje na Igreja

Todas as funções de liderança estão presentes na igreja, exceto a dos apóstolos, porque só os que acompanharam Jesus em Sua vida terrena e, pouco depois, Paulo, foram escolhidos pessoalmente por Jesus para essa função. Apóstolo significa enviado. Eles eram os missionários que Jesus enviou para estabelecer o Reino de Deus entre os gentios e entre os judeus.

Quando cuidam da doutrina que é ensinada e “montam guarda espiritual” para que nada venha danificar o rebanho de Deus, nossos líderes estão sendo os nossos pastores. Em outras vezes, quando abrem a Bíblia e nos expõem coisas mais complexas, eles são nossos mestres. Irmãos mais espiritualmente maduros também nos ensinam coisas profundas e, nesse sentido, são mestres para nós. Quando nós falamos sobre a palavra de Deus para as pessoas, quer seja compartilhando nossa fé, quer seja contando como Deus nos tem ajudado, estamos profetizando. Profetizar, além do sentido mais conhecido de prever coisas, é falar por Deus. Nos pequenos grupos, o coordenador cuida da maioria das questões práticas. Ao fazer isso, o coordenador exerce, em menor escala, o papel de um “presbítero”, que nada mais é que alguém que se incumbe do trabalho de supervisão. Esse trabalho era muito importante para a preservação da unidade da Igreja e Paulo deu instruções para a escolha de bispos (presbíteros) em 1 Timóteo 3.

Bispo e presbítero são duas denominações que, originalmente, parecem ter designado o mesmo cargo e a mesma classe de pessoas. A palavra presbítero queria dizer em grego “mais idoso”, o que significava também, mais sábio. Já a palavra bispo, originária do verbo grego para “inspecionar, visitar”, indicava o cuidado pastoral, da fé e dos costumes dos cristãos. Apenas quando a hierarquia foi se instalando no corpo da Igreja essa mesma função veio a ser diferenciada em duas posições diferentes, ganhando o bispo uma importância maior que a do presbítero.

Nas igrejas maiores, esse papel cabe aos coordenadores de família (grupos maiores), cabendo aos coordenadores de pequenos grupos cuidar de questões mais ligadas ao dia-a-dia dos cristãos do grupo. Nesse caso, o coordenador do grupo exerce, também numa escala menor, o papel de um “diácono”. Veja como os diáconos surgiram em Atos 6:1-5: eles estavam envolvidos na distribuição diária da comida.

Ponto 7- A hierarquia na Igreja se instalou a partir da supressão do exercício dos dons para equipar os discípulos de Jesus na Igreja.

A função de equipar o corpo perdeu espaço para o controle a partir dos problemas da Igreja de Corinto, com o uso dos dons. A mistificação do uso dos dons levou ao afastamento progressivo do propósito da edificação do corpo de Cristo e passou a servir ao destaque pessoal.

Um célebre historiador inglês do século 18 (Edward Gibbon) escreveu:

“As comunidades estabelecidas nas cidades do Império Romano estavam unidas tão-só pelos laços da fé e da caridade. Independência e igualdade eram as bases de sua organização interna. A ausência de disciplina e cultura humana era obviada pela ocasional assistência dos profetas, que eram chamados a exercer essa função sem distinções de idade, sexo ou talentos naturais e que, tão logo sentiam o divino impulso, extravasavam as efusões do Espírito por sobre a assembléia dos fiéis. Mas os mestres proféticos abusavam com freqüência desses dons extraordinários, dando-lhes má aplicação. Exibiam-nos em ocasiões inconvenientes, perturbando presunçosamente o culto litúrgico da assembléia, e por via de sua soberba ou ardor errôneo causavam, particularmente na Igreja apostólica de Corinto, um longo séquito de deprimentes perturbações. Por se ter tornado inútil e até mesmo perniciosa a instituição dos profetas, seus poderes foram cassados e seu cargo abolido.” (GIBBON. Decadência e queda do Império Romano. p. 217)

Sutilmente, à medida que os membros do corpo iam sendo reprimidos em seu compromisso de mútua ajuda e de funcionamento para “pescar mais homens”, instalou-se a distinção entre laicado e clero, desconhecida pelos gregos e romanos. A primeira dessas denominações abrangia o conjunto da comunidade cristã; a segunda, de conformidade com a significação da palavra, se adequava à porção seleta reservada para serviço da religião. Esse processo, ao longo da História da Igreja, foi longo, mas pode ser entendido em duas etapas (ou quedas) básicas:

a) Queda 1: os bispos ganham posição superior aos presbíteros

Após o primeiro século, portanto, em lugar de se curarem as fraturas, o que se fez foi anular os membros de ossos quebrados, ou seja, aqueles cuja função não estava sendo proveitosa para a Igreja. As funções públicas da religião passaram a ser confiadas tão-só aos ministros oficiais da Igreja, os bispos e os presbíteros.

As Igrejas, depois do primeiro século e antes do terceiro, formavam repúblicas independentes das demais, mantendo, no entanto, um intercâmbio por meio de cartas e delegações. As decisões dos cristãos de uma região eram tomadas em assembléias de bispos e presbíteros (sínodos). Pouco a pouco, os mais hábeis politicamente e de maior carisma foram tomando o comando das assembléias, sendo proclamados “presidentes de presbíteros”.

Quando os presidentes dos presbíteros passaram a ter a supremacia nos sínodos, a posição do bispo se destaca da do presbítero. A partir do final do primeiro século, o bispo ganha o status administrativo, como magistratura honorífica e perpétua escolhida entre os mais destacados dentre os presbíteros. Isso significava que havia “megapresbíteros”.

A função dos bispos passou a ser identificada com a dos presidentes dos presbíteros. A partir do século 2, as Igrejas da Grécia e da Ásia Menor estabeleceram os sínodos provinciais, que eram assembléias de caráter regional. A Igreja estava reproduzindo, na prática, o modelo grego das afictiones, nos quais os membros do conselho de Estado se reuniam para discutir assuntos de interesse comum. Dessa forma, os bispos passaram a dominar não uma igreja, mas uma região. As resoluções (chamadas canons) desses sínodos provinciais passaram a ter força de lei no seio das Igrejas e disciplinavam matéria de fé.

b) Queda 2: os metropólitas ou primazes se destacam dos bispos

Esses presidentes que se destacavam na sua região alcançaram um título mais alto do que seus pares: metropólitas ou primazes. Começa entre eles a luta pelo poder temporal na Igreja. Nessa luta, a importância da cidade dentro do Império Romano contava bastante e o primaz de Roma, obviamente, logo assumiu o domínio da situação. Roma, além de ser a capital do Império, contava também com a maior comunidade de pessoas que professavam ser cristãs.

PARA PENSAR

Que tipo de talento você acha que tem? Se você ainda não descobriu quais talentos tem, como pode ajudar os outros a crescerem espiritualmente e promover a riqueza da Igreja?

Há muitos talentos na Igreja. Cada um precisa descobrir os seus e sonhar em servir com eles, para que a Igreja cresça. Os talentos são como as várias faces de um dado. O dado é um só, mas as faces variam. É importante ver que todos os dons são, no fundo, uma das faces visíveis do amor de Deus, usando cada um de uma maneira diferente, mas complementar.

Assim, fica muito claro que todos os serviços na Igreja são para que Deus seja glorificado. Não há hierarquia porque o cabeça do corpo, que é a Igreja, é Cristo. Só Ele está em posição de destaque. Tudo o mais é perna, braço, olho, ouvido: tudo o mais é membro.

A liderança bíblica tem isso em mente e, sem deixar de ser parte do corpo como todos os demais, assumiu o compromisso de estar à frente para dar o exemplo e puxar a fila daqueles que querem servir. Quem é o pastor? Aquele que puxa a fila dos que têm o dom de cuidar espiritualmente dos outros irmãos. Quem é o diácono? Aquele que puxa a fila dos que têm o dom de servir em questões práticas. Quem é o presbítero? Aquele que puxa a fila dos que têm o dom de cuidar da fé dos discípulos de Jesus na Igreja. Em que fila você quer estar?

Fonte: http://www.icoc.org.br/Convidados/art09.htm

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