Considerações sobre o sofrimento

Autor: Jonathan Menezes
Que postura se deve adotar diante do sofrimento e das perdas? O que fazer quando a vida nos golpeia com tempos difíceis, quando as palavras desaparecem ou perdem sua validade tornando-se tão vazias e áridas quanto o deserto de nossas vidas? E quando nossos belos e “irrefutáveis” conceitos produtores de sentido caem por terra, assim como tudo aquilo que não é eterno e que, até então, nos servia de sustentação, se esvai? O que fazer quando todas as horas são dores, e todas as dores, lágrimas vertidas em sangria de uma alma ferida e prostrada?
O fato paradoxal é que nada pode ser feito e tudo pode ser feito. Nada podemos fazer à medida que o sofrimento nos paralisa, fazendo-nos sentir incapazes de impor ordem e vontade própria às nossas vidas. O sofrimento pode nos fazer pessoas melhores, se assim permitirmos, como também pode nos tornar pessoas ainda mais difíceis, caso o enfrentemos com a força da amargura. Dor é sempre dor, e não há ninguém que esteja isento dela. O diferencial, porém, está em como tratamos a dor, a quem submetemos, com quem e se compartilhamos, ou até mesmo que lições extraímos.
A impotência nestas horas é, de certo modo, um fator positivo, posto que faz relembrar o fato de que somos humanos, e que não temos resposta nem jeito pra todas as coisas. Ora, se com a prepotência, o orgulho e o desejo de controlar tudo ao nosso redor nós caminhamos rumo a desumanização, diante da morte e do sofrimento nossa humanidade é ressaltada. Neste sentido é que “tudo” também pode ser feito. Afinal, afirmamos que o poder e a Graça Soberana de Deus transcendem as limitações da presente existência e até mesmo da morte.
Mas nem todas as coisas abaixo do sol possuem uma explicação racional ou conseqüente. Uma perda irreparável, uma morte trágica e cruel: como aclarar tais acontecimentos humanamente inevitáveis? O fato de não entendermos o que Deus fez e faz não significa que ele não tenha um propósito para todas as coisas. E as razões para muitos de seus propósitos, só compreenderemos na eternidade. Tudo isto, como diz Eugene Peterson, “não nos diminui, nem destrói, mas nos torna plenamente humanos”, uma humanidade totalmente subordinada a Graça de Deus, à espera de que floresçam as sementes da ressurreição, nosso consolo por excelência.

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