As Duas Noivas do Cordeiro

Autor: Maury de Paula Santos
O Apóstolo Paulo em sua carta aos Coríntios escreve: “Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo”( 2 Cor 11:2). De forma clara, deixa entender que a Noiva do Cordeiro é a Igreja, o que é confirmado ainda em sua Carta aos Efésios: “Pois o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da Igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo” ( Efésios 5:23). Entretanto, quando deparamos com o livro de Apocalipse, encontramos algo que a princípio parece soar sem sentido: “Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro; e me transportou, em espírito, até a uma grande e elevada montanha, e me mostrou a santa cidade, Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus”( Apocalipse 21:9-10 Cf 21:2 )
O Anjo convida à João para que visse a Noiva do Cordeiro, e apresenta para ele não a Igreja, mas a Cidade Santa, a Nova Jerusalém. Temos a príncipio um aparente conflito, sugerindo que um desses Apóstolos poderia ter cometido um equívoco! Mas ao analisarmos as escrituras, perceberemos que não existe nenhuma contradição, ambos estão corretos, e para compreensão do fato, é necessário rever a história da formação da nação de Israel.
Em Gênesis, encontramos relatado que Isaque não queria que Jacó se casasse com alguém que não fosse de sua parentela, e o enviou a casa de Labão, irmão de Rebeca (sua esposa), para que tomasse como esposa uma de suas filhas: “Isaque chamou a Jacó, e o abençoou, e ordenou-lhe, dizendo: Não tomes mulher de entre as filhas de Canaã”( Gn 28:1). Ao chegar a seu destino, encontra-se Jacó com Raquel, por quem se afeiçoa, e por quem, realiza um pacto com Labão. Através desse pacto, trabalharia durante 7 anos para ele, e em troca, receberia Raquel como esposa:”Jacó amava Raquel, e disse: Sete anos te servirei por tua filha mais moça, Raquel”( Gn 29:18). Completado seu trabalho, Jacó foi receber sua esposa. Porém, Labão usando de astúcia, lhe entrega a sua filha mais velha, de nome Lia. Ao descobrir o ocorrido, Jacó indignou-se com Labão e foi tirar satisfação, ao que, em resposta ouviu:”Não se faz assim em nossa terra; não se dá a mais nova antes da primogênita. Cumpre a semana desta; então de daremos também a outra, pelo trabalho de outros sete anos que ainda me servirás”.( Gn 29:27-28). Jacó recebeu a Lia e decorrida a semana dessa, recebeu a Raquel por quem trabalharia mais sete anos para Labão:”E Jacó fez assim. Cumpriu a semana de Lia e então Labão lhe deu por mulher a Raquel, sua filha.”( Gn 29:28).
Ao lutar certa vez com Deus, Jacó teve seu nome mudado para Israel:”Então o homem disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel, porque lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste.” ( Gn 32:28). Jacó teve ao todo 12 Filhos homens, que ficaram conhecidos como as 12 Tribos de Israel, a saber: Rúbem, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom, José, Benjamim, Dã, Naftali, Gade e Aser. ( Gn 35:23-29). “Todas estas são as doze tribos de Israel, e isto é o que lhes falou seu pai quando os abençou; a cada um deles abençoou segundo a sua benção”( Gn 49:28). José, filho de Jacó, foi vendido como escravo para o Egito por seus irmãos, e lá, lhe nasceram dois filhos, Manassés e Efraim, que posteriormente Jacó, os tomou para sí como se seus próprios filhos fossem: “Agora, pois ,os teus dois filhos, que te nasceram na terra do Egito, antes que eu viesse a ti no Egito, são meus; Efraim e Manassés serão meus, como Rúben e Simeão.” ( Gn 48:5 ). Jacó possuia outros filhos, entretanto, a nenhum de seus outros netos, referiu-se ele, como o fez em relação a Manassés e Efraim, que também deram nomes as Tribos de Israel e herdaram o direito de primogenitura que era de Rubén (I Cron 5:1 ). No livro de Apocalipse encontramos: “Tinha grande e alto muro com doze portas, e nas portas doze anjos, e nomes escrito sobre elas, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel”( Ap 21:12). Quais seriam esses nomes inscritos na Cidade Santa? Encontramos a resposta em Apocalipse 7:1-8, onde temos a selagem das 12 tribos de Israel.Surge uma questão interessante, pois DÃ, filho de Jacó, não é contado, aparecendo em seu lugar, MANASSÉS, filho de José, a quem, lembre-se, Jacó tomou para sí como seu próprio filho.
As outras onze tribos, são os demais filhos de Jacó, inclusive José, mas não é mencionado EFRAIM. Jacó constituiu o Israel de Deus, e nessa condição foi chamado de primogênito de Deus: “Dirás a Faraó: Assim diz o Senhor: Israel é meu Filho, meu primogênito” ( Exôdos 4:5 – cf Isaías 41:8 ; 43:1; 44:1 ; 46:3; 44:1-2). Convém destacar ainda que quando Jacó desceu para o Egito, foram aproximadamente 70 pessoas com ele, com a promessa de Deus de que faria dele uma grande nação: “Disse Deus: Eu sou Deus, o Deus de teu pai. Não temas descer ao Egito, pois eu te farei ali uma grande nação”( Gn 46:3). A nação de Israel começou a nascer ali no Egito, era uma criança ainda, e nessa condição, Deus, lembrou-se de sua promessa, e fez seu povo subir do Egito: “Quando Israel era menino, eu o amei, e do Egito chamei o meu filho” (Oséias 11:1). ( Cf Jer 2:6; Oséias 12:13; Ex 12:51; Sl 136:11). Convém ainda ressaltar que Jacó não era o primogênito de Isaque, e sim, Esaú, que por um prato de lentilhas, vendeu esse direito a seu irmão.(Gn 25:30-34). Essa é a história resumida do primeiro Israel de Deus. Agora ela será contada novamente, demonstrando como a Bíblia é simples, bonita e completa, e o plano de Deus perfeito. Antes porém, faço uma pergunta? Quem pecou em Adão, o povo de Israel ou a humanidade? A humanidade, por isso era necessário que Deus preparasse um povo, Israel, e quando chegasse a plenitude do tempo, enviasse seu Filho, nascido de Mulher, para restaurar a humanidade que em Adão havia pecado, e Ele, constituiu o novo Israel de Deus.
Jacó teve doze filhos homens que formaram as 12 tribos, Jesus Cristo, escolheu para sí, 12 Apóstolos para formar o novo Israel. Jacó foi chamado por Deus de primogênito e teve seu nome trocado para Israel, da mesma forma temos em relação à Jesus Cristo: “Tú és o meu servo, és ISRAEL por quem ei de ser glorificado”( Isaías 49:3 ) “E novamente, ao introduzir o primogênito no mundo diz: E todos os anjos de Deus o adorem”( Heb 1:6 – Cf Rom 8:29 e Sal 89:27 ). Da mesma forma que o Jacó ( Israel) desceu ao Egito, e ainda criança, Deus do Egito chamou seu filho; Jesus ( O Novo Israel) ainda criança desceu ao Egito para que se cumprisse as escrituras: “Levantando-se ele, tomou de noite o menino e sua mãe, e foi apra o Egito. Ali ficou até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta: Do Egito chamei o meu Filho”( Mateus 2:14-15). Da mesma forma que o nome das 12 Tribos estão nas 12 portas da Nova Jerusalém, o nome dos 12 Apóstolos do Cordeiro encontram-se nas muralhas da Cidade: “O muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles estavam os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro”( Ap 21:14) Mas qual os doze nomes que estarão escritos lá? Porventura Judas estaria entre esses 12 nomes? De forma alguma, pois deixou o grupo ao trair Jesus Cristo.
Para seu lugar os Apóstolos lançando sorte, designaram a Matias (Atos 1:15-26), mas Jesus Cristo, chamou a Paulo, como um nascido fora do tempo, o qual se tornou o mais conhecido dos Apóstolos.”e, afinal, depois, de todos, foi visto também por mim, como por UM NASCIDO FORA DE TEMPO. Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo nào sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus’( I Cor 15:8-9 – veja Rm 1:1; 11:13; I Co 9:12 ; Gal 1:1 – e outros). Da mesma forma que Jacó teve 12 Filhos e depois temos a entrada de Efraim e Manassés, totalizando 14 Pessoas, temos agora mais 2 Apóstoslos, totalizando 14. Da mesma forma que das doze tribos originais, ficaram 11 + 1 ( Manassés), dos Apóstolos originais, ficaram 11 + 1 ( Paulo ou Matias ). Da mesma forma que Efraim não foi mencionado, Matias ou Paulo, também não terá seu nome escrito na cidade. Particularmente, penso que a escolha de Matias deu-se apenas para completar o quadro, que na realidade a vaga é sem nenhuma contestação do Apóstolo Paulo. E Judas, o que deixou o grupo, acerca dele temos: “Até o meu amigo íntimo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o calcanhar”( Salmos 41:9 – João 13:18). Judas traiu Jesus Cristo, e o seu equivalente em relação a Jacó é DÃ, que deixou o grupo dos 12 na contagem em Apocalipse, acerca do qual temos: “Dã será serpente junto ao caminho; uma víbora junto à vereda, que morde os talões do cavalo, e faz cair o seu cavaleiro por detrás”( Gn 49:17). Dã, o equivalente de Judas, é comparado ao símbolo da traíção, a serpente, não sendo necessário mais nenhum comentário. Jacó como vimos, trabalhou 7 anos por Raquel e recebeu Lia em seu lugar. Decorrida a semana dessa, recebeu Raquel, por quem trabalhou mais 7 anos para Labão. Jesus Cristo veio ao mundo para os seus, e trabalhou por eles para Deus: “Mas ele lhes disse:Meu Pai trabalha até agora, e eu TRABALHO também”( João 5:17) E de que consistia esse trabalho de Jesus?
Em fazer a vontade do Pai que o enviou ao mundo: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da visrta aos cegos, para por em liberdade os oprimidos; e apregoar o ano aceitável do Senhor”( Lucas 4:18). Jesus trabalhou para seu Pai e em troca receberia sua esposa amada, Jerusalém. Porém, da mesma forma que Labão entregou primeiro a Jacó, sua filha mais velha, Lia ( que não era amada por Jacó), Deus entregou primeiro a Igreja. “Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Mas a todos os que o receberam, àqueles que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus”( João 1:11-12). E da mesma forma que Jacó recebeu primeiro a que não era amada, assim aconteceu com Jesus Cristo: “Chamarei povo meu ao que não era meu povo; e amada à que não era amada”( Romanos 9:25 – Efésios 1:22-23). Antes que recebesse Raquel, foi necessário que decorresse a semana de Lia. Por essa razão, ocorreu a interrupção no cumprimento da septuagésima semana da profecia de Daniel. Se o Messias tivesse sido recebido, a última semana teria se completado a dois mil anos atrás. Com a entrada da Igreja ( Ou Lia), era necessário que decorresse a semana desta, para então Deus entregar Jerusalém, por quem Jesus então iria trabalhar mais 7 anos para ELE, que são os 7 anos finais da profecia de Daniel. Outro ponto importante a ser destacado, é o fato de que o primogênito era Esaú, e esse, vendeu por causa de um prato de comida esse direito para Jacó.
Da mesma forma, Adão era o primogênito, e por causa de um fruto que não lhe era permitido comer, vendeu seu direito de primogenitura para o último Adão, Jesus Cristo. Percebe-se portanto que nem Paulo e nem João estavam errados, pois ambos acertaram em suas colocações e inclusive em relação à ocasião. Mas chamo a atenção para outra questão, o fato de Jesus Cristo ter saído de Deus e ser o próprio Deus. Paulo ao se referir a Nova Jerusalém, a noiva de Cristo mencionada em Apocalipse 21:9-10, diz: “Mas, a Jerusalém lá de cima é livre, a qual é nossa MÃE” ( Gal 4:26). Alguns estudiosos bíblicos quando deparavam com Apocalipse 21:9-10, diziam que na realidade o que o Anjo apresentava à João era a Igreja. Ora, como poderíamos nós termos por mãe à nós mesmos? A Jerusalém Celestial é a nossa mãe, e acerca dela temos em Isaías: “Porque o teu Criador é o TEU MARIDO; O Senhor dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; ele é chamado o Deus de toda a terra”( Isaías 54:4 Leia todo o Texto – Leia Isaías 62). Sendo a Jerusalém a nossa mãe e Deus o seu marido, naturalmente, somos filhos de Deus: “Mas, a todos quantos oreceberam, deu-lhes o poder de serem feitos Filhos de Deus; aos que crêem no seu nome”( João 1:12). Em sua condição como Filho de Deus, Jesus Cristo é o Novo Adão e tem como Esposa, ou a Nova Eva, à Igreja. Na sua condição de Deus, pois Ele e o Pai são apenas um, Ele tem como Esposa, Jerusalém, portanto somos então seus filhos : “Eis aqui estou eu, e os filhos que Deus me deu “( Hebreus 2:13 – Cf João 14:18 e Isaías 8:18 ).
Logo, não há nenhuma incoerência entre Paulo e João, ambos falaram acertadamente acerca das Noivas do Cordeiro, por isso, o sugestivo título que abre esse estudo.

Para a Maior Glória de Deus !!!

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