A identidade do jovem cristão brasileiro

O RG do jovem cristão brasileiro

“Há quem diga que o ‘jovem no Brasil nunca é levado a sério’, mas na verdade é o jovem que não está levando o Brasil a sério, e muito menos a Deus”.

Recentemente, li uma entrevista no site www.ogalileo.com.br com o pastor Zé Bruno (ex-bispo da Renascer e vocalista do grupo Resgate). Entre outros comentários sobre a realidade cristã, ele disse que ‘hoje a liderança evangélica é exaltada por títulos’. Ele continua dizendo: “Eu não sou contra títulos, queria deixar isso bem claro, mas, por outro lado, percebo que existe uma corrida desenfreada para saber quem é o maior. Havia o ministério de pastores, aí veio o dos bispos, a unção dos apóstolos, agora tem a unção do patriarca e acho que a próxima será a unção de Terá – que era o pai de Abraão, quer dizer, o pai do patriarca, daqui a pouco tem o pai de Tera, até chegar em Deus; e eu pergunto: ‘pra quê?’”.

Fiquei feliz por esta entrevista por dois motivos: sempre gostei da banda Resgate e não me conformava com o fato do Zé Bruno andar na onda dos bispos e apóstolos que tem por ai e isso provou que os fatos não eram bem como eu achava; e ainda, porque confronta a realidade em que o meio evangélico brasileiro se encontra.

Eu sou o criador da comunidade Estudantes de Teologia no Orkut.com. Ela possui cerca de 10.000 membros. A cada dia, entram uma média de 10 a 15 novos membros na comunidade. Tendo que aceitar ou reprovar cada novo membro, eu percebo como as pessoas gostam de títulos: “Bispo Fulano de Tal”; “Evangelista Ciclano de Nóbrega”; “Presbítero Beltrano de Souza”; “Adorador Fulano…”; “Missionário Ciclano…”; “Conferencista Ciclano…”; e até mesmo “Servo de Deus Beltrano…”. Assim como o Zé Bruno eu não sou contra títulos, sou contra a incoerência que existe entre os títulos e a vida das pessoas que os têm. Líderes que não lideram, pastores que não pastoreiam. Enfim, o título pelo título.

Imagino que você deve estar se perguntando o porquê de eu ter começado este texto falando sobre o Zé Bruno e toda essa história sobre bispo, pastores e títulos, uma vez que o título deste artigo é sobre a juventude cristã brasileira. O porquê eu te digo: os jovens brasileiros tem seguido o exemplo dessa liderança cristã ao carregar o nome de cristão.

É bem comum vermos jovens que louvam ao Senhor cantando ou tocando com afinação sem igual no final de semana, mas durante a semana desafinam sua vida na roda dos escarnecedores e suas piadinhas imorais. Jovens que são tão maduros ao falar sobre teologia, filosofia e qualquer outra *ia*, mas não sabem o significado da palavra coerência. Jovens que curtem a vida intensamente, e que encontram a morte desastrosamente. Jovens que são tão fervorosos, mas com um coração congelado pelos goles e goles da cerveja. Jovens que são apaixonados por Jesus Cristo, mas que vivem flertando com o mundo. Jovens que dançam ‘como o rei Davi dançou’ ao som de artistas um tanto imórais. Jovens que falam do amor Cristo, mas não vivem o amor de Cristo. Jovens que são tão sábios para exortar e tão tolos para viver. Jovens que investem tudo em projetos pessoais e não encontram tempo para investir no reino de Deus. Jovens que reivindicam a liberdade para se prenderam em seu egoísmo. Jovens que amam a causa, mas nem tanto a Causa. Jovens que morreriam por ideais, mas não vivem os ideais de Deus. Jovens que se comprometem ao agir ‘sem compromisso’. Jovens que buscam felicidade a qualquer custo, mesmo que seja barganhando a sua fé. Jovens com grande potencial, que potencializam o seu orgulho. Jovens tão grandes com um Deus tão pequeno. Jovens que são mais experientes que seus pais. Jovens que são mais inspirados que a Bíblia. Jovens rebeldes sem causa. Jovens que ganham dinheiro e que perdem sua vida. Jovens que tem tudo, mas não tem nada. Jovens que buscam o inalcançável padrão de beleza, que a saber, foi instituído para fins lucrativos. Jovens tão cheios de si, que do seu íntimo transborda o infinito vazio. Jovens que lutam em vão para alcançar estabilidade financeira em um mundo instável. Jovens guerreiros sem um exército, sem um Marechal. Jovens que carregam suas Bíblias anotadas, mas só com as anotações dos outros. Jovens que sonham, mas não oram. Jovens que planejam, mas não consultam. Jovens cristãos que não são como Cristo. Jovens curtindo a adrenalina da queda livre em direção ao abismo. Há quem diga que o ‘jovem no Brasil nunca é levado a sério’, mas na verdade é o jovem que não está levando o Brasil a sério, e muito menos a Deus.

O maneira como uma pessoa vive confirma os títulos que ela recebe. Se o jovem é cristão, logo as suas práticas devem ser de acordo com os ensinos de Jesus, o Cristo. Paulo, em Efésios 4, deixa bem clara a distinção entre aquele que se identifica com Jesus Cristo e aquele que não:

Assim, eu lhes digo, e no Senhor insisto, que não vivam mais como os gentios, que vivem na futilidade dos seus pensamentos. Eles estão obscurecidos no entendimento e separados da vida de Deus por causa da ignorância em que estão, devido ao endurecimento dos seus corações. Tendo perdido toda a sensibilidade, ele se entregaram à depravação, cometendo com avidez toda espécie de impureza. Todavia, não foi assim que vocês aprenderam de Cristo. De fato, vocês ouviram falar dele, e nele foram ensinados de acordo com a verdade que está em Jesus. Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade. (Ef 4.17-24 NVI , ênfase minha).

Nesse trecho acima, Paulo insiste aos irmãos da igreja de Éfeso que não vivam mais “como os gentios, que vivem na futilidade dos seus pensamentos” (v. 17), pois isso não era que tinham aprendido de Cristo (v. 20). Aqui há uma clara distinção entre o cristão e o ímpio. Paulo insiste aos efésios que abandonem as práticas mundanas, porque não foi assim que aprenderam de Cristo (v. 20). O cristão tem a grande responsabilidade de seguir a Jesus Cristo e seu ensino, ou seja, viver como ele viveu e, se preciso, até morrer como ele morreu. Paulo transmitiu essa ideia em Filipenses 1.21 dizendo “porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro”. Jesus deixou bem claro a seus discípulos quando disse que para segui-lo, era necessário que cada um negasse a si mesmo e tomasse sua cruz a cada dia e, assim, poderia segui-lo. Então, se alguém “quiser salvar a sua vida a perderá; mas quem perder a vida por minha causa, este a salvará” (Lc 9.23,24).

Já ouvi muitas críticas a homens fiéis a Deus, sendo tachados como radicais, pelo fato de viverem e lutarem por suas convicções de fé. A palavra radical não é um adjetivo pejorativo, mas, falando de forma popular, seria alguém que defende algum ideal ‘com unhas e dentes’. Se ser radical é não abrir de sua convicção de fé, mesmo que na contra-mão do mundo, então, isso é um elogio e eu realmente gostaria de ser conhecido como crente um radical. Sem contar que Jesus sempre foi muito radical em sua abordagem – como, por exemplo, no texto citado acima. Ele sempre foi direto e claro. Jesus está a procura de seguidores convictos, que abram mão de seus conceitos para viver os Seus preceitos.

Se compararmos o padrão esperado por Jesus Cristo para os seus discípulos, o quadro da juventude cristã brasileira é preocupante. Na verdade, isso é um reflexo do que tem acontecido com o cristianismo no Brasil. Igrejas que não se comprometem em discipular jovens – na verdade, a família como um todo, crianças, adolescentes, etc – para que sejam comprometidos com o evangelho de Cristo Jesus. Liderança descomprometida, família descomprometida, jovem descomprometido.

Qual seria a solução para que os jovens realmente fossem comprometidos com Cristo?

Pais, eduquem “a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Pv 22.6). Já diziam os mais velhos: “educação vem de berço”. Em Deuteronômio 6.7 diz:

Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar.

As crianças de hoje são os jovens de amanhã. A melhor idade para o aprendizado sobre o evangelho de Jesus Cristo é quando criança. Pais não deixem que o mundo eduque o seus filhos, pois ele o faz e o faz muito bem. Pais conscientes, filhos obedientes. Ensine a Palavra de Deus diariamente a seus filhos, não deixe essa tarefa para a igreja. Use de seriedade e criatividade para expor a Palavra aos filhos, parafraseando o que o texto acima diz, em casa, na rua, no carro, pescando… Discipule seu filho, senão o mundo o fará, e bem feito.

Jovens, o Brasil precisa urgentemente de jovens cristãos que não apenas carreguem mais um título, mas que façam jus ao título que têm. Seja um cristão de fato, ou mude de nome. Honre o nome que você carrega, o nome de Cristo. Seja um jovem comprometido com o evangelho de Jesus Cristo. Faça diferença na sua faculdade, promova reuniões entre os alunos. Jovem, ajude os ministério de sua igreja, não corra atrás de sucesso financeiro, isso é lenda, ou melhor armadilha de Satanás. Dedique mais tempo para orar e estudar a Bíblia, ela é capaz de torná-lo sábio! Ore por missões, ore por pessoas descrentes e indiferentes ao evangelho. Ore por avivamento! Comprometa-se com Cristo, ou já estará comprometido com o mundo.

Já que eu citei o Zé Bruno da Banda Resgate, veja esse clipe interessante da banda. É divertido e casa muito bem com a problemática, viver de aparencias. http://www.videolog.tv/video.php?id=379634

Jônatas Jacob

Visite o blog:
www.jcjacob.com

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