Relacionamentos, contrato ou aliança?

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Como são seus relacionamentos? Você se relaciona como se fosse um contrato ou uma aliança? Contrato é um vinculo jurídico. É a partir do contrato que instituições, nações e até mesmo pessoas estabelecem acordos. Cada parte envolvida expõe as condições que julga necessárias para que as bases do convívio sejam definidas e, sobre elas, os relacionamentos possam acontecer. Quando uma das partes quebra o contrato, não cumpre com o que foi estabelecido, as relações ficam prejudicadas e, muitas vezes, são rompidas.

Muitas pessoas, hoje, têm desenvolvido relacionamentos dos mais diversos baseados em um contrato, porém um contrato exige regras e o problema é que na maioria das vezes estas regras não são claras. Se por exemplo eu for consultar um médico ou advogado minhas expectativas são claras, eu pago e espero que seja diagnosticado ou solucionado meu problema. Mas em um relacionamento nem sempre a outra pessoa recebe o que se espera do outro, daí surgem os conflitos, as frustrações e as decepções que colocam em risco nossos relacionamentos como as amizades e até casamentos.

Nas relações contratuais as regras precedem o amor, neste modelo, há sempre uma experiência condicional. Desde cedo ouvimos e aprendemos esta equação: “Se você se comportar direito, tirar boas notas, então será amado”. Por outro lado existe um modelo oposto ao contratual que é o “relacional”, da aliança que é um modelo bíblico e que demonstra a forma como Deus se relaciona conosco. A aliança não estabelece nenhuma condição ou exigência para o amor, por que ele precede qualquer regra ou mandamento. A base dessa aliança é o amor incondicional e unilateral de Deus. Não existe “se” no modelo da aliança, por que os mandamentos de Deus não são exigências do seu amor, mas nossa resposta ao amor de Deus. Ele não afirma: “Vou te amar se…”, mas sim: “Eu amo independente de qualquer condição”.

Muitas vezes o povo de Israel se prostituiu e foi seduzido a servir a outros deuses, no entanto, Deus permaneceu fiel à sua aliança para com seu povo. O amor de Deus é maior do que o nosso erro, que nossa rebeldia. Ele permanece vivo, apaixonado, mesmo quando não encontra nenhuma resposta. Isto é aliança. No contrato os mandamentos precedem o amor, na aliança é o amor que precede os mandamentos. O contrato mostra a prisão da religiosidade, a aliança mostra a libertação do amor. Obedecemos a Deus, não como condição para sermos amados por ele, mas como resposta pessoal e incondicional ao seu amor por nós.

Desde cedo, também aprendemos que amar é o resultado previsível de condições estabelecidas entre as partes envolvidas. Pais e filhos, cônjuges, amigos, todos determinam suas exigências e condições e, enquanto vivemos neste modelo contratual, não crescemos emocionalmente. Isso nos torna narcisistas e egoístas em nossos relacionamentos, não aprendemos a lidar com os movimentos, as mudanças e as renovações naturais que a vida proporciona no processo de crescimento. Diante dos primeiros sinais de quebra contratual, rompemos com os vínculos mais sagrados das nossas amizades.

É preciso algo mais poderoso que nós, que nos ajude a revisar nossos sentimentos para crescermos em direção à imagem do Filho de Deus pela compreensão de sua aliança para conosco. Nas relações contratuais, o imperativo é: obedeça, cumpra com sua parte do contrato, então eu o amarei. Na relação determinada pela aliança, o imperativo é: eu te amo, portanto guarda os meus mandamentos. É a partir da aliança que aprendemos a nos relacionar e a buscar um modelo que transcenda as limitações do nosso egoísmo e nos leve a amar como Deus, em Cristo, nos ama.

Autor: David Tibúrcio dos Santos

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